
O ator e diretor Gracindo Júnior morreu pouco antes das 22h desta terça-feira (1º), em casa, no Rio de Janeiro. Ele tinha 83 anos e construiu uma trajetória de mais de seis décadas no rádio, no teatro, no cinema e na televisão.
A morte foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo, e pelo ator e diretor Leonardo Brício, que estava na residência no momento do falecimento. Gracindo estava acompanhado da esposa, Daisy Poli, e dos filhos. A causa da morte não foi divulgada.
O corpo será velado no Memorial do Carmo, no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio. A família ainda não informou a data e o horário da cerimônia, nem divulgou detalhes sobre o sepultamento ou a cremação.
Nas redes sociais, Leonardo Brício prestou uma homenagem ao amigo e relembrou a parceria entre os dois. Eles trabalharam juntos na novela “Cidadão Brasileiro”, em 2006, e na minissérie “Rei Davi”, de 2012, na qual Gracindo interpretou o rei Saul.
Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943. Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, começou a trabalhar ainda adolescente, após fazer um teste para a Rádio Nacional em 1959. Na emissora, atuou como ator, redator e disc-jóquei.
Embora tenha cursado Psicologia, nunca exerceu a profissão. No início da década de 1960, estreou profissionalmente no teatro com a peça “A Escada”, do dramaturgo Jorge Andrade.
Militante do Partido Comunista, Gracindo Júnior foi cassado pela ditadura militar em 1964, juntamente com outros artistas, e ficou impedido de continuar trabalhando na Rádio Nacional.
Em 1965, integrou o primeiro elenco da TV Globo e participou de “Rosinha do Sobrado”, segunda novela exibida pela emissora. Nos anos seguintes, atuou em produções como “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Os Ossos do Barão” e “Supermanoela”.
Gracindo Júnior dividiu a tela com o pai em “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Os dois também participaram de “O Casarão”, de Lauro César Muniz, interpretando as versões jovem e idosa do protagonista João Maciel.
Ao longo da carreira, esteve em novelas como “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração”, “Anjo de Mim”, “Esplendor” e “Celebridade”.
Além da atuação, Gracindo Júnior também construiu uma carreira atrás das câmeras. Dirigiu produções como “A Sucessora”, “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”. Em 1983, assumiu a direção do programa “Os Trapalhões”.
O artista também participou da criação e da apresentação dos primeiros videoclipes de cantores brasileiros produzidos e exibidos pelo programa “Fantástico”.
Entre seus trabalhos mais recentes estão as produções “Poder Paralelo”, “Rei Davi”, “Ouro Verde” e a série “Homens?”, exibida em 2019.