
O Jornal da Record exibiu, na noite desta terça-feira (25), uma reportagem sobre uma suposta rede coordenada de páginas e perfis utilizada para divulgar conteúdos contra adversários políticos da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).
Segundo a emissora, o principal alvo da estrutura seria João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco. O material apresentado pela Record teria sido encaminhado à Polícia Federal, que apura o caso.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam uma conclusão sobre a responsabilidade criminal ou eleitoral das pessoas, empresas e agentes públicos citados.
A reportagem apresentou imagens de uma reunião realizada em um restaurante no Recife. Nas gravações aparece Amisadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco para atuar na Secretaria de Turismo e Lazer.
O vínculo funcional é registrado no sistema Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, que apresenta despesas relacionadas ao ressarcimento da Caixa pela cessão do servidor.
Durante a conversa exibida pela Record, Amisadai descreve a utilização de um veículo de comunicação, páginas parceiras e publicações compartilhadas por meio da ferramenta de colaboração das redes sociais.
Ele também menciona uma estratégia para “desidratar” João Campos após a reeleição do então prefeito do Recife, em outubro de 2024. A emissora interpretou a expressão como uma referência à produção e à disseminação de ataques e conteúdos negativos contra o adversário político.
De acordo com a Record, a estrutura reuniria mais de 300 perfis que publicariam conteúdos simultaneamente.
A emissora apontou o Portal de Prefeitura, página com mais de 300 mil seguidores nas redes sociais, como um dos principais canais de distribuição dos conteúdos.
O veículo pertence à Portal Comunicação e Marketing Ltda., empresa da qual Amisadai já foi sócio. A Record afirmou que a página seria utilizada para originar publicações posteriormente compartilhadas por outros perfis da rede.
No conteúdo disponibilizado pelo R7 após a exibição, a emissora também afirma que Amisadai teria declarado que foi chamado pela governadora Raquel Lyra para atuar contra João Campos.
A gravação apresentada, entretanto, não esclarece quem participou das reuniões mencionadas nem comprova, isoladamente, que a governadora tenha determinado ou autorizado a atuação descrita. Essas circunstâncias dependerão da apuração das autoridades.
A Record informou que a Portal Comunicação e Marketing recebe recursos provenientes da publicidade institucional do Governo de Pernambuco desde 2023.
Segundo a emissora, o valor acumulado supera R$ 500 mil. A reportagem também mostrou ordens bancárias referentes ao período entre março e julho de 2026 que somariam R$ 186.413,04.
Os recursos teriam sido repassados por meio das agências responsáveis pela execução das campanhas publicitárias do Estado.
A existência dos pagamentos, isoladamente, não comprova que o dinheiro tenha sido utilizado para financiar ataques políticos. A investigação deverá apurar se os valores correspondem apenas à veiculação regular de publicidade institucional ou se existiu alguma relação entre os repasses e a produção dos conteúdos questionados.
Em nota exibida pela Record, a Portal Comunicação e Marketing declarou que Amisadai deixou formalmente a sociedade da empresa em setembro de 2024.
A empresa afirmou que ele não integra atualmente a administração e não responde por contratos, publicações ou outros atos praticados pelo veículo após sua saída.
A Secretaria de Comunicação de Pernambuco informou que a publicidade estadual é executada por agências contratadas mediante licitação. Segundo o governo, a distribuição das peças segue critérios técnicos, como audiência, alcance e custo.
A gestão estadual acrescentou que os valores destinados ao veículo em 2026 representam aproximadamente 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade durante o período.
A campanha de Raquel Lyra também declarou que suas atividades são realizadas publicamente, com identificação dos responsáveis, e que o conteúdo apresentado aos eleitores está concentrado nas entregas realizadas pelo governo.
A manifestação não respondeu diretamente à declaração atribuída a Amisadai sobre um eventual chamado da governadora para atuar contra João Campos.
Segundo a Record, o vídeo e outros materiais relacionados à possível produção coordenada de conteúdos foram levados à Polícia Federal.
A emissora também informou que alguns perfis foram retirados das redes sociais após Amisadai ser procurado para comentar o assunto.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco analisa denúncias relacionadas à existência de redes de ataques digitais durante a disputa pelo Governo do Estado.
Até o momento, não foram divulgadas conclusões sobre a autoria dos conteúdos, a origem de seu financiamento ou a eventual participação de integrantes do Governo de Pernambuco.
João Campos reagiu à reportagem nesta quarta-feira (26) e afirmou que seus advogados adotarão as medidas cabíveis. O candidato disse que denuncia há mais de um ano a existência de uma estrutura organizada de ataques contra ele, aliados e familiares.