
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abertura de seus sigilos bancário e telefônico, mas condicionou a medida à ampliação do acordo sugerido pelo adversário.
A declaração foi dada durante um evento de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Segundo Flávio, a autorização apresentada por Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não seria suficiente e precisaria incluir outras pessoas e empresas relacionadas ao presidente.
“Ele fez um desafio fake para mim. O Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo do telefone dele?”, afirmou o candidato. Na sequência, Flávio disse que pretende levar a proposta adiante e ampliar o alcance da quebra de sigilos.
Entre as condições apresentadas pelo candidato do PL está a inclusão do telefone utilizado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula e é citado como pessoa que recebia ligações destinadas ao então presidente. O nome do ex-assessor também aparece relacionado a Roberta Luchsinger, lobista investigada no caso envolvendo suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Flávio também voltou a fazer acusações relacionadas ao patrimônio de Lula e citou os imóveis de Atibaia e do Guarujá. Os casos foram utilizados pelo senador como exemplos do que classificou como possível ocultação patrimonial. Lula chegou a ser condenado nos processos da Lava Jato, mas as condenações foram posteriormente anuladas pela Justiça.
O candidato do PL afirmou que seu patrimônio está declarado à Justiça Eleitoral e à Receita Federal. “A minha vida é um livro aberto. O problema não é quem declara o patrimônio, porque o meu patrimônio foi construído com muito suor”, declarou.
Após o evento, a campanha de Flávio divulgou uma petição apresentada ao TSE com 19 condições para a abertura dos sigilos. O documento amplia os pedidos para empresas e pessoas ligadas à família de Lula e ao Instituto Lula.
A proposta também inclui solicitações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e à lobista Roberta Luchsinger, em uma tentativa de ampliar o escopo das informações que seriam analisadas.
Na petição, Flávio declara autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A autorização também seria estendida aos familiares mencionados por Lula e às empresas das quais o candidato do PL seja sócio ou administrador.
O documento estabelece, porém, que a divulgação das informações ocorreria após Lula apresentar a documentação correspondente e aderir às condições propostas pela campanha de Flávio.
Ao final, a defesa eleitoral do candidato pede que Lula seja intimado pelo TSE para informar se aceita os termos apresentados. Caso o presidente não concorde, a campanha de Flávio solicita que a recusa seja registrada oficialmente no processo.