
Mais de 5.680 animais foram retirados das rodovias federais de Pernambuco entre janeiro e setembro de 2026, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número representa um aumento de 22,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram recolhidos 4.624 animais. Nos primeiros nove meses deste ano, 94 animais também foram encontrados mortos após atropelamentos.
A presença de animais nas pistas provocou 57 sinistros de trânsito no período, com 61 pessoas feridas e sete mortes. Apesar da gravidade dos registros, houve redução em comparação com os nove primeiros meses de 2025, quando foram contabilizadas 76 ocorrências, 108 feridos e oito mortes. A PRF esclarece que não possui dados específicos sobre quantos animais atropelados sobrevivem, já que alguns fogem após as colisões.
A BR-232 concentrou o maior número de sinistros envolvendo animais, com 21 registros entre janeiro e setembro. Na sequência aparecem a BR-101, com 14 ocorrências, e a BR-428, com oito. Entre os animais encontrados com mais frequência nas pistas estão cavalos, bois, bodes, burros e jumentos. Segundo a corporação, a circulação de animais soltos, problemas de sinalização e a falta de estruturas de proteção estão entre os fatores associados a esses acidentes.
Além do risco nas rodovias, os atropelamentos também afetam a fauna silvestre. Estudos apontam que a perda de habitats e a fragmentação de áreas naturais podem levar animais a atravessar estradas em busca de abrigo e alimento. Na BR-423, no Agreste Meridional, uma pesquisa publicada em 2025 identificou maior concentração de atropelamentos em trechos próximos a áreas de vegetação, corpos d’água e propriedades rurais. O mapeamento pode ajudar a orientar medidas de prevenção, como sinalização, redução de velocidade e instalação de passagens para animais.
Por Millena Galvão