
O Grupo Ri Happy, uma das principais redes de brinquedos do Brasil, entrou com pedido de recuperação extrajudicial no domingo (18), em meio a um processo de reorganização financeira e operacional. A empresa não divulgou o valor das dívidas que pretende renegociar, mas afirmou já contar com adesão expressiva de credores.
Diferentemente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores as condições para o pagamento dos débitos. O acordo, no entanto, precisa ser submetido à homologação da Justiça.
A iniciativa ocorre dois meses após a aquisição da rede pela BluSun Capital Partners, em agosto. Sob o novo controle, a companhia também promoveu mudanças na estrutura corporativa, com ajustes nas equipes e transferência de sede. A direção afirma que as medidas buscam melhorar a eficiência das operações, reorganizar o capital e garantir a continuidade do negócio no longo prazo.
O comando da empresa voltou às mãos de Héctor Nuñez, executivo que já havia presidido a Ri Happy entre 2012 e 2020. Com mais de 25 anos de experiência no varejo e em grandes organizações, ele também passou pelo Walmart Brasil e pela Coca-Cola. A nova equipe inclui profissionais responsáveis pelas áreas operacional, financeira, comercial, de gestão de pessoas e de tecnologia.
Novo modelo de loja não alcançou resultado esperado
A reestruturação ocorre após uma tentativa de diversificar o negócio. Em junho, a rede inaugurou no Shopping Morumbi, em São Paulo, uma unidade da Divertudo, bandeira que combina a comercialização de brinquedos com atividades de entretenimento e experiências para o público infantil. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o desempenho comercial da loja ficou abaixo do esperado.
A empresa também atribui o cenário desafiador às condições do varejo brasileiro, citando os juros elevados, as mudanças nos hábitos de consumo, a concorrência mais intensa e os efeitos acumulados da pandemia.
Fundada em 1988, a Ri Happy ampliou sua presença no mercado em 2012, quando adquiriu a concorrente PBKids. Na ocasião da compra pela BluSun, em agosto, o grupo reunia 293 lojas no país, distribuídas entre as duas marcas. Desse total, 244 operavam sob a bandeira Ri Happy e 49, sob a PBKids, entre unidades próprias e franquias.