COPOM DECIDE JUROS NESTA QUARTA SOB PRESSÃO DE GUERRA E INFLAÇÃO

Facebook
WhatsApp
Email
banco_central_economia
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (29) para definir a nova taxa básica de juros do país, a Selic. Esta é a terceira reunião do ano e ocorre em meio a um cenário de incertezas externas, especialmente por causa da Guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e impactado a inflação global.

Atualmente fixada em 14,75% ao ano — após ter permanecido em 15% entre junho de 2025 e março de 2026, no maior nível em quase duas décadas —, a taxa pode sofrer novo corte. De acordo com o boletim Focus, analistas do mercado financeiro projetam uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.

A decisão será anunciada no início da noite e acontece em um contexto atípico. O Copom terá desfalques importantes: os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti expiraram no fim de 2025, sem substituições ainda indicadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso. Além disso, o diretor Rodrigo Teixeira está ausente por motivo de luto familiar.

O comportamento da inflação continua sendo uma das principais preocupações da autoridade monetária. A prévia do índice oficial, o IPCA-15, registrou alta de 0,89% em abril, impulsionada principalmente pelos preços de combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, aproximando-se do teto da meta.

Segundo o mercado, a inflação projetada para 2026 subiu para 4,86%, ultrapassando o limite superior da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com tolerância de até 4,5%.

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a frear o consumo e reduzir a pressão sobre os preços, mas também podem desacelerar a economia. Por outro lado, a redução da taxa estimula o crédito e o crescimento econômico, ainda que possa dificultar o controle inflacionário.

Na ata da última reunião, realizada em março, o Copom evitou sinalizar os próximos passos da política monetária, destacando que as decisões dependerão da evolução do cenário econômico, especialmente diante das incertezas externas.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o modelo de meta contínua de inflação. Nesse sistema, o cumprimento da meta é avaliado mês a mês, com base na inflação acumulada em 12 meses. Isso substitui o modelo anterior, que considerava apenas o resultado fechado de cada ano.

A próxima edição do Relatório de Política Monetária, documento que orienta as projeções do Banco Central, será divulgada no fim de junho e pode trazer revisões diante do atual cenário internacional.

A decisão desta quarta-feira será acompanhada de perto por investidores, empresas e consumidores, em um momento em que os rumos da economia brasileira seguem fortemente influenciados por fatores internos e externos.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp

Veja também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *