
A partir do dia 4 de maio, apostas relacionadas a esportes, política, entretenimento e eventos sociais estarão proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e tem como objetivo fechar lacunas regulatórias e estabelecer regras mais claras para o setor.
A decisão consta na Resolução nº 5.298, aprovada na noite da última quinta-feira (23), mas divulgada oficialmente apenas no dia seguinte.
Com a nova norma, apenas contratos ligados a temas econômicos e financeiros continuarão permitidos, como inflação, taxa de juros, câmbio e preços de commodities — bens primários com cotação internacional.
Os mercados preditivos funcionam como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nesses ambientes, usuários negociam contratos baseados em perguntas objetivas, como “isso vai acontecer ou não?”.
Se o evento ocorrer, quem apostou corretamente obtém lucro; caso contrário, sofre prejuízo. Diferentemente das apostas tradicionais, conhecidas como “bets”, nessas plataformas os próprios usuários negociam entre si, sem intermediação direta de uma casa de apostas.
Esses contratos são classificados como derivativos, instrumentos financeiros cujo valor depende de um evento futuro.
A nova regulamentação veta contratos relacionados a:
* Resultados de jogos esportivos
* Eleições e temas políticos
* Reality shows e entretenimento
* Eventos sociais e culturais
Na prática, grande parte dos produtos mais populares dessas plataformas deixará de existir no país. A proibição também se aplica a empresas estrangeiras que ofereçam esse tipo de serviço a brasileiros.
O que continua permitido
Seguem autorizados contratos vinculados a indicadores econômicos e financeiros, como:
* Taxa de juros
* Inflação
* Câmbio
* Preço do petróleo e outras commodities
Essas operações continuam sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela regulação do mercado financeiro.
O governo federal passou a entender que apostas envolvendo eventos não financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar — e não como instrumentos de investimento.
Por isso, esse tipo de atividade deverá ocorrer apenas por meio de plataformas de apostas regulamentadas, que exigem autorização do Ministério da Fazenda, pagamento de taxas e cumprimento de regras de proteção ao consumidor.
Sem essas exigências, os mercados preditivos eram vistos como uma forma de concorrência irregular às bets legalizadas.
A medida deve reduzir significativamente a atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, especialmente plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições, esportes e eventos globais.
Por outro lado, o governo busca:
* Reduzir riscos para investidores
* Conter a especulação excessiva
* Organizar um setor que crescia sem regulamentação clara
A CVM será responsável por editar normas complementares e fiscalizar o cumprimento das novas regras.