O TENENTE-CORONEL MAURO CID, EX-AJUDANTE DE ORDENS DE JAIR BOLSONARO, PRESTA UM NOVO DEPOIMENTO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF)

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Imagem: Lula Marques/Agência Brasil

O tenente‑coronel Mauro Cid, ex‑ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, presta depoimento nesta segunda‑feira, 14 de julho de 2025, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma nova fase das investigações que envolvem três ações penais relativas à tentativa de golpe de Estado em 2022.

Cid depõe no período da tarde, em audiência conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, apresentando informações sobre os núcleos 2 (“gerenciamento de ações”), 3 (“ações coercitivas”) e 4 (“desinformação”), que envolvem ao todo 23 réus destes grupos criminais .

Durante a manhã, precedendo sua oitiva, foram recebidos os testemunhos de acusação da Procuradoria‑Geral da República (PGR):
• Adiel Pereira Alcântara (ex‑PRF), que confirmou ordens para intensificar abordagens a ônibus e vans no segundo turno de 2022, visando eleitorado do Nordeste ;
• Clebson Ferreira de Paula Vieira, ex‑analista do Ministério da Justiça;
• Éder Lindsay Magalhães Balbino, empresário ligado à produção de relatórios suspeitos sobre urnas eletrônicas .

A sequência processual segue com oitivas das defesas:
• Núcleo 2 entre os dias 15 a 21;
• Núcleo 4 nos dias 15 e 16;
• Núcleo 3 entre os dias 21 a 23 de julho .

O que mudou desde o depoimento de junho

Em sua oitiva de junho, no âmbito do “núcleo crucial” (núcleo 1), Cid apresentou um relato contundente ao STF: afirmou que Jair Bolsonaro leu e fez alterações em uma minuta de golpe, e que o ex‑presidente manifestava preocupação genuína com supostas fraudes nas urnas eletrônicas . Esses detalhes reforçam seu papel central como delator.

No entanto, nos últimos meses surgiram gravações de conversas e mensagens trocadas por Cid, em que ele questiona a condução de sua delação, acusando PGR e Polícia Federal de tentarem direcionar suas respostas e “colocar palavras na boca dele” . Algumas defesas já pediram à Corte a anulação total da delação, por considerarem que isso comprometeria sua validade como prova, embora o ministro Moraes ainda tenha mantido o acordo em vigor .

Os três núcleos investigados
• Núcleo 2: responsabilizado pela coordenação de ações estatais para dificultar o acesso de eleitores, especialmente no Nordeste, ao processo eleitoral. Inclui membros da PRF, PF e assessores presidenciais .
• Núcleo 3: grupo de militares acusados de arquitetar um plano que seria chamado “Punhal Verde e Amarelo”, contemplando monitoramento de autoridades, ações contra o STF e até assassinatos de figuras como Lula e Alexandre de Moraes .
• Núcleo 4: rede de desinformação, acusada de criar um ambiente propício para o golpe, com disseminação sistemática de fake news e ataques ao sistema eleitoral .

Próximos passos

Após o depoimento de Cid, os interrogatórios das testemunhas de defesa prosseguem por vídeo entre 15 e 23 de julho. Entre eles estão nomes como Valdemar Costa Neto (presidente do PL), José Múcio Monteiro (ministro da Defesa), ex‑comandantes das Forças Armadas, além de outros militares e assessores .

A fase de instrução está apenas começando. Cabe agora ao STF avaliar a consistência da delação de Cid frente às acusações adversas e determinar seu impacto no desenrolar das ações penais — que abrangem ao todo 31 réus, incluindo Bolsonaro, em diferentes núcleos da investigação.

Por: Wesley Souza

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