
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) divulgou uma atualização sobre as condições climáticas e alertou para a alta probabilidade de formação do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026. A previsão indica temperaturas acima da média em todo o estado e possibilidade de agravamento da seca, principalmente nas regiões do interior de Pernambuco.
De acordo com a Apac, os principais centros meteorológicos internacionais apontam que o El Niño pode atingir intensidade entre moderada e forte, com chance de evolução para um episódio muito forte. O fenômeno é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.
Para o trimestre de julho, agosto e setembro, a previsão é de chuvas abaixo da média no Leste pernambucano e calor acima do normal em todo o estado. Segundo a meteorologista da Apac, Edvânia Pereira, a intensidade do El Niño será determinante para os impactos sobre o Nordeste, especialmente em relação à ocorrência de períodos de estiagem.
Embora Pernambuco tenha registrado melhora nas condições de seca entre fevereiro e maio deste ano, favorecida por chuvas dentro da média, a tendência é de que o novo cenário climático aumente a evaporação da água, intensifique o ressecamento do solo e pressione os recursos hídricos nos próximos meses.
A agência também destaca possíveis reflexos na agropecuária, como maior necessidade de irrigação, aumento do estresse hídrico nas lavouras, comprometimento das pastagens e maior impacto sobre os rebanhos, exigindo planejamento antecipado por parte dos produtores.
A Apac informou que mantém monitoramento permanente das condições climáticas, hidrológicas e agrícolas em parceria com outros estados do Nordeste e órgãos como a Defesa Civil, para atualizar os prognósticos e orientar medidas de prevenção.
O secretário estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, Almir Cirilo, afirmou que o Governo de Pernambuco acompanha a evolução do cenário para antecipar ações e minimizar os efeitos da estiagem. Entre as medidas em andamento estão a transferência de água entre bacias hidrográficas, o reforço do abastecimento com água do Rio São Francisco, projetos de dessalinização e ações para reduzir perdas nos sistemas de distribuição, com o objetivo de ampliar a segurança hídrica no estado.