
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a mobilização nas redes sociais para conquistar eleitores no segundo turno das eleições presidenciais. As duas candidaturas lançaram grupos no WhatsApp para distribuir conteúdos políticos e estimular apoiadores a ampliar o alcance das mensagens na internet.
No campo petista, o deputado federal André Janones (Rede-MG) lidera a iniciativa chamada “Exército de Lula”. O canal reunia cerca de 3 milhões de seguidores até sexta-feira (9), segundo as informações divulgadas. A meta anunciada é mobilizar até 5 milhões de apoiadores para compartilhar materiais de campanha e alcançar eleitores indecisos.
Em transmissões direcionadas à militância, Janones defendeu uma comunicação mais simples, com temas ligados ao cotidiano da população, como o Bolsa Família, o Prouni e o fim da escala de trabalho 6×1. Ele também recomendou ações para ampliar a circulação das publicações, incluindo comentários, compartilhamentos, divulgação em grupos e distribuição de vídeos nas redes sociais.
A orientação é concentrar esforços em pessoas que ainda não decidiram o voto, eleitores que podem mudar de posição e cidadãos que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Do lado do PL, Flávio Bolsonaro anunciou a criação da “Tropa do Flávio”, grupo no WhatsApp voltado à distribuição de mensagens e materiais eleitorais. A iniciativa reunia pouco mais de 1 milhão de integrantes, conforme os números informados no período.
Durante uma transmissão ao vivo, o senador acusou o PT de organizar uma estrutura digital para disseminar notícias falsas. A declaração foi feita ao apresentar o novo canal de mobilização, em uma disputa que tem colocado as estratégias de comunicação na internet no centro da campanha.
Campanha petista aciona Justiça Eleitoral
Além da mobilização digital, a disputa chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A coligação de Lula apresentou representações sobre possíveis irregularidades na circulação de conteúdos políticos e no uso de ferramentas digitais durante a campanha.
Uma das ações questiona o alcance de publicações favoráveis ao presidente ou críticas a Flávio Bolsonaro no Facebook e no Instagram, plataformas controladas pela Meta. A coligação afirma que determinados conteúdos teriam sofrido queda expressiva ou interrupção no engajamento e pede critérios equilibrados para a distribuição de material político.
Em resposta, a Meta informou ter identificado um problema técnico que afetava algumas métricas de vídeos e afirmou trabalhar para solucioná-lo. A manifestação, segundo as informações divulgadas, não detalhou a extensão da falha nem esclareceu quais publicações foram atingidas.
Outra representação envolve Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, o influenciador Pablo Marçal e responsáveis pelo projeto de criptomoedas Brasil 22 Token (B22). A campanha petista levanta suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação para beneficiar o candidato do PL.
A ação cita uma oferta de 30 mil tokens às primeiras mil pessoas que divulgassem o projeto nas redes sociais. Também menciona um perfil estrangeiro com 12,9 milhões de seguidores que teria recebido 120 milhões de tokens e publicado um vídeo de crianças de Uganda pedindo votos no número 22.
O site do projeto nega que a distribuição das criptomoedas esteja condicionada à divulgação de propaganda eleitoral. Os fatos relatados pela coligação foram encaminhados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral para apuração de possíveis irregularidades.
As acusações ainda dependem de análise das autoridades e não representam, por si só, comprovação de ilegalidade.
Redes sociais ganham peso na disputa eleitoral
A criação dos grupos mostra como as campanhas buscam transformar apoiadores em agentes de distribuição de conteúdo, ampliando a presença dos candidatos em aplicativos de mensagens e plataformas digitais.
Nesse ambiente, a disputa envolve tanto a conquista de novos eleitores quanto o controle da narrativa política, a circulação de informações e a contestação de conteúdos publicados pelos adversários.
Com o segundo turno em andamento, as estratégias digitais se tornam mais um campo de confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, ao lado dos atos presenciais, das entrevistas e da propaganda eleitoral.