STF ABRE INQUÉRITO PARA INVESTIGAR FLÁVIO BOLSONARO POR FINANCIAMENTO DE FILME SOBRE O PAI

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Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito policial para investigar a possível participação do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação está relacionada ao repasse de aproximadamente R$ 61 milhões pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, para financiar a produção do longa. A suspeita investigada é de que os recursos tenham sido disponibilizados após pedidos feitos por Flávio Bolsonaro.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também aparece nas investigações e é apontado como possível beneficiário de parte dos recursos.

A abertura do inquérito foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a PF, a apuração busca esclarecer a possível ocorrência de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.

A existência de um procedimento tendo Flávio Bolsonaro como investigado direto tornou-se pública após André Mendonça retirar, na noite de quinta-feira (10), o sigilo de parte das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.

Ao todo, 15 procedimentos envolvendo o Banco Master tiveram o sigilo retirado. A medida foi adotada após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin. Permanecem em segredo apenas documentos e diligências cuja divulgação possa prejudicar o andamento das investigações.

Apesar da publicidade dada à autorização para investigar Flávio Bolsonaro, detalhes do inquérito específico e de determinadas diligências relacionadas ao financiamento de Dark Horse continuam sob sigilo.

Delação premiada

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é apontado nas investigações como um dos responsáveis pela movimentação de recursos relacionados ao financiamento do filme.

Freixo Júnior teria atuado em repasses destinados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que aparece nas investigações sobre o caminho percorrido pelo dinheiro utilizado na produção.

A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou repercussão após a divulgação de áudios em que o senador aparece solicitando recursos ao então banqueiro para financiar a cinebiografia do pai.

Desde a divulgação das gravações, Flávio Bolsonaro sustenta que não houve irregularidade na negociação. O senador afirma que buscou investimentos privados para uma produção privada e que os valores recebidos foram integralmente destinados ao filme.

As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Supremo Tribunal Federal.

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