
A Interpol colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição das buscas por Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, irmãos que desapareceram em janeiro deste ano em Bacabal, no Maranhão. A informação foi confirmada pela advogada da família, Nathaly Moraes.
O apoio foi comunicado pelo Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal. A medida pode ampliar as possibilidades de investigação caso surjam informações que indiquem que as crianças tenham sido levadas para fora do Brasil.
A mãe dos irmãos, Clarice Cardoso, deve se reunir nesta quarta-feira (9) com integrantes do núcleo, na sede da Polícia Federal, em São Luís. A expectativa é que o encontro esclareça quais mecanismos de cooperação poderão ser acionados e de que forma eles serão incorporados às buscas.
Segundo a advogada, a família havia buscado anteriormente a atuação da Polícia Federal diante da possibilidade de tráfico de pessoas. Na ocasião, porém, o pedido para transferência da investigação não teria sido acolhido por falta de elementos que justificassem a competência federal.
Com a nova manifestação do Núcleo de Cooperação Internacional, a família passou a contar com a possibilidade de recorrer a instrumentos da Interpol para localização e, se necessário, procedimentos de retorno das crianças ao país.
Desaparecimento
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 km de São Luís. Desde então, não houve divulgação de informação confirmada sobre o paradeiro dos irmãos.
O desaparecimento completou oito meses na última sexta-feira (4). Durante esse período, buscas mobilizaram agentes de segurança, voluntários e autoridades públicas, mas nenhuma pista considerada concreta pelas autoridades foi apresentada publicamente.
A mãe afirma que continua esperando encontrar os filhos.
“Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar meus filhos vivos”, disse Clarice.
Caso nos EUA
A disponibilização das ferramentas da Interpol não significa que Ágatha e Allan tenham sido localizados nem que estejam entre as crianças encontradas recentemente em uma operação nos Estados Unidos.
De acordo com a defesa da família, o Consulado do Brasil acompanha a situação junto às autoridades americanas. Parte das crianças resgatadas ainda passa por procedimentos de identificação.
A advogada afirma que o eventual envolvimento da Interpol é relevante porque permite ampliar a cooperação entre autoridades de diferentes países caso apareçam indícios de que os irmãos estejam no exterior.
Investigação sob sigilo
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que as buscas continuam. Como o caso tramita sob segredo de Justiça, a pasta não divulgou detalhes da investigação.
Informações que possam contribuir para localizar as crianças podem ser comunicadas à Polícia Militar, pelo 190, ou ao Disque-Denúncia, pelo 181. O denunciante não precisa se identificar.
Nos últimos meses, informações falsas sobre o caso circularam nas redes sociais. Entre elas estavam afirmações de que os irmãos já teriam sido encontrados e alegações, sem comprovação, de envolvimento em uma suposta rede internacional de tráfico de órgãos.
A Secretaria de Segurança Pública alertou que a divulgação de conteúdos não confirmados pode atrapalhar o trabalho das autoridades e aumentar o sofrimento da família.
O caso também foi acompanhado por integrantes do Congresso Nacional. Em maio, parlamentares da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade para ouvir familiares e autoridades envolvidas na investigação.
Até o momento, porém, o paradeiro de Ágatha Isabelly e Allan Michael permanece desconhecido.