
O governo federal deve adiar para a próxima semana a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta-feira (9), em entrevista à um veículo de comunicação. A avaliação foi motivada pela retomada de ataques entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar o preço internacional do petróleo.
Segundo o ministro, o benefício havia sido criado para conter o repasse da alta do petróleo aos combustíveis no auge da crise entre os dois países. Com o cessar-fogo e o avanço das negociações de paz, o preço recuou, o que levou o governo a discutir o fim gradual da subvenção.
A retomada das hostilidades, no entanto, fez o barril de petróleo se aproximar novamente da casa dos US$ 80, o que exige cautela por parte da equipe econômica, segundo Durigan.
“Nós temos que adotar com cautela a retirada de subsídios. A gente retirou do diesel. Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo”, disse o ministro.
Renegociação de dívidas do agronegócio
O ministério também negocia com o Congresso Nacional a renegociação de dívidas rurais, medida que pode ser formalizada nos próximos dias. “A medida provisória vai ser editada tão logo a gente faça as últimas conversas. Fim desta semana, começo da próxima semana”, afirmou Durigan.
De acordo com a proposta em discussão, cerca de R$ 100 bilhões em dívidas devem ser renegociados. O limite por CPF é de R$ 8 milhões para produtores que tiveram perdas relacionadas a eventos climáticos e de R$ 4 milhões para prejuízos causados por variação de preços.
O prazo para pagamento pode chegar a dez anos no caso de produtores afetados por eventos climáticos. Em relação aos juros, as tratativas preveem taxas de 6% ao ano para pequenos agricultores, 9% para médios produtores e 12% para grandes produtores rurais.