
O futuro da Feira do Paraguai, localizada no Parque 18 de Maio, passou a ser motivo de preocupação para centenas de comerciantes de Caruaru. O terreno onde o setor funciona pertence ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e deverá ser desocupado para a execução de um projeto de revitalização.
A proposta apresentada pela instituição prevê a construção de um estacionamento com três pisos. Apesar da confirmação da obra, ainda não foram divulgados o prazo para a saída dos feirantes, a data de início da construção nem o tempo necessário para a conclusão do empreendimento.
A Feira do Paraguai reúne entre 400 e 500 comerciantes, segundo estimativa de Lenilson Torres, proprietário da Feira da Fundac. Para os trabalhadores, a principal preocupação é encontrar um espaço que ofereça estrutura, segurança e circulação de compradores suficientes para preservar a renda das famílias.
O feirante Lucas Fernandes afirma que os comerciantes já trabalham sem uma estrutura adequada e foram surpreendidos pela possibilidade de mudança. Segundo ele, muitas famílias dependem diretamente das vendas realizadas no local.
“A gente infelizmente está sem saber para onde é que vai”, resumiu o comerciante.
Jucelino da Silva, que relata atuar no comércio da feira há cerca de 50 anos, defende que os trabalhadores sejam encaminhados para uma área pública. Ele teme que a transferência para um empreendimento particular aumente os custos e provoque perda de clientes.
“Será que eu vou ter o mesmo movimento lá?”, questionou.
Uma das alternativas apresentadas é a ocupação de espaços na Feira da Fundac. A mudança, entretanto, não é obrigatória, e os comerciantes poderão avaliar outros locais.
Para estimular a transferência, a administração da Fundac informou que os novos ocupantes ficarão isentos de pagamento até o final de 2026. A partir de janeiro de 2027, a cobrança prevista será de R$ 60 a cada feira realizada.
Lenilson Torres argumenta que o valor é semelhante às despesas enfrentadas atualmente pelos comerciantes com taxas, energia, transporte de mercadorias e segurança. Segundo ele, esses custos podem chegar a R$ 60 ou R$ 65 por feira.
O empresário também afirma que aproximadamente dois terços dos comerciantes da Feira do Paraguai já trabalham na Fundac ou realizaram cadastro para ocupar um espaço. O dado foi apresentado pela administração do empreendimento e ainda não foi confirmado pelos órgãos públicos.
Os interessados poderão começar a ocupar os pontos antes mesmo da liberação da licença para a obra do Sesc. Segundo o proprietário, a Feira da Fundac funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e aos sábados, das 7h às 11h.
O Sesc Pernambuco confirmou que pretende construir um estacionamento de três pisos no terreno. O primeiro pavimento deverá possuir estrutura destinada a expositores e compradores e poderá receber diferentes atividades comerciais, inclusive a Feira do Paraguai.
A possibilidade, porém, não representa uma garantia de retorno dos atuais comerciantes após a obra. Também não foram apresentadas as regras para uma futura ocupação, a quantidade de vagas disponíveis ou as condições de funcionamento.
A instituição informou ainda que não recebe parte dos valores pagos atualmente pelos feirantes pela utilização do espaço.
A Prefeitura de Caruaru confirmou que foi oficialmente comunicada pelo Sesc sobre o projeto de requalificação e ampliação. A gestão municipal ressaltou que o terreno é particular e está cedido para a utilização atual.
Uma comissão formada por representantes das partes envolvidas deverá se reunir nesta sexta-feira (21). O encontro discutirá possíveis locais para os comerciantes, o processo de desocupação e os próximos encaminhamentos.
O assunto também chegou à Câmara Municipal. Um pedido de informações apresentado pelo vereador Delegado Lessa foi deferido pelo Legislativo. O requerimento solicita esclarecimentos sobre a possível retirada da feira e sobre a existência de uma área planejada para a realocação dos trabalhadores.
Até o momento, a transferência para a Feira da Fundac permanece apenas como uma das alternativas. A definição do destino, do cronograma da mudança e das condições oferecidas aos comerciantes dependerá das negociações entre o Sesc, a prefeitura e os representantes dos feirantes.
ATUALIZAÇÃO: Como resultado da articulação entre a Prefeitura, os representantes dos feirantes, o Sesc e a direção da Fundac, ficou definido que a transferência não ocorrerá de forma imediata. Os comerciantes terão um período de adaptação e contarão com suporte durante a mudança. A previsão é que a Feira do Paraguai passe a funcionar no ambiente da Fundac a partir do dia 15 de outubro.