LULA DEFENDE FORTALECIMENTO DA DEFESA E ALERTA PARA RISCO DE INVASÃO AO CITAR CONFLITO NO IRÃ

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Foto: Reprodução Redes Sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de defesa e estimular a produção própria de equipamentos militares. A declaração foi feita durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Segundo Lula, Brasil e África do Sul podem cooperar para desenvolver tecnologias e produtos voltados à autodefesa. Para ele, os dois países devem reduzir a dependência de fornecedores externos e investir em produção conjunta.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou.

O presidente também criticou a dependência internacional na compra de armamentos. Segundo ele, os países do chamado Sul Global precisam fortalecer a própria indústria de defesa.

“Não precisamos ficar comprando dos ‘senhores das armas’. Nós podemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, disse.

A fala ocorreu após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria.

Apesar da defesa do fortalecimento militar, Lula ressaltou que a América do Sul se mantém como uma região de paz. Segundo ele, as tecnologias desenvolvidas no continente têm, em sua maioria, aplicação civil.

“Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Ninguém tem bomba nuclear ou bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, ciência e tecnologia, não para a guerra”, declarou.

Preocupação com o Oriente Médio

Durante a declaração à imprensa, Lula demonstrou preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio. O presidente afirmou que a guerra envolvendo o Irã já provoca impactos no mercado internacional de energia.

De acordo com ele, o preço do petróleo vem subindo em diversos países e pode aumentar ainda mais com a continuidade das tensões.

Lula também citou os efeitos humanitários e econômicos da crise, iniciada após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Os bombardeios deixaram centenas de mortos em Teerã, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Para o presidente brasileiro, conflitos desse tipo provocam consequências globais. “Essas crises afetam cadeias de energia, de insumos e de alimentos. Mulheres e crianças acabam sendo as mais vulneráveis diante desses impactos”, disse.

Ele reiterou que a saída para o impasse deve ocorrer por meio da negociação diplomática. “O diálogo e a diplomacia são o único caminho viável para uma solução duradoura”, afirmou.

Exploração de minerais

Na área econômica, Lula destacou o potencial brasileiro para a exploração de minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética e para tecnologias digitais.

O presidente afirmou que o país pretende evitar repetir o modelo histórico de exportação de matérias-primas sem agregação de valor.

“Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer com as terras raras o que fez com o minério de ferro. Vendemos matéria-prima e depois compramos o produto acabado pagando muito mais caro”, declarou.

Segundo Lula, Brasil e África do Sul podem ampliar a cooperação na mineração e desenvolver cadeias produtivas capazes de gerar mais valor econômico.

Agenda internacional

Lula também confirmou que participará, em 18 de abril, de uma reunião em Barcelona, na Espanha, a convite do primeiro-ministro Pedro Sánchez. O encontro reunirá lideranças internacionais em defesa da democracia.

De acordo com o presidente, a agenda inclui discussões sobre regulação do ambiente digital, inteligência artificial e fortalecimento de fontes de informação confiáveis.

Ao final da declaração, Lula afirmou que Brasil e África do Sul compartilham a visão de que países do Sul Global devem ampliar sua participação nas decisões internacionais.

Por: Bell Pereira

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