
A 3.ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo condenou o oftalmologista Paulo Barição a 40 anos de prisão em regime fechado por causar a perda da visão de 21 pacientes durante um mutirão de cirurgias de catarata em 2016.
A infecção generalizada, causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, teve origem na esterilização inadequada dos instrumentos cirúrgicos, segundo o Ministério Público. A perícia confirmou a contaminação de 21 dos 27 pacientes operados, resultando em 13 casos de perda parcial e oito de cegueira total.
O juiz André Luiz Rodrigo do Prado Norcia fundamentou a decisão no conceito de dolo eventual, afirmando que o médico assumiu o risco ao realizar cirurgias em série sem seguir os protocolos de biossegurança. “O réu reafirmou sua conduta a cada paciente, intencionalmente, assumindo o risco das lesões”, escreveu o magistrado.
A acusação apontou falhas graves: uso de apenas uma mesa cirúrgica, ausência de troca de aventais entre os pacientes e utilização de apenas duas caixas de instrumentos para todo o mutirão. Uma infectologista ouvida no processo afirmou que os materiais foram submetidos apenas a desinfecção, quando o protocolo exigia esterilização completa, processo que levaria cerca de uma hora.
O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso classificou a condenação como “um grande equívoco” e anunciou recurso.