
Pressionado pelo avanço da inflação e por sucessivos alertas de economistas e parlamentares, o presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (14) um decreto que reduz tarifas sobre a importação de alimentos essenciais, como carne bovina, café, bananas e tomates. A medida representa uma inflexão na política comercial adotada desde o início de 2025, marcada por taxas elevadas e pela chamada tarifa “recíproca”.
Segundo a Casa Branca, os produtos listados no decreto passam a ficar isentos da cobrança adicional estabelecida no pacote tarifário que entrou em vigor em janeiro. O governo afirma que uma nova análise técnica concluiu que a oferta doméstica desses itens é insuficiente para atender à demanda nacional, o que tem pressionado os preços ao consumidor.
Desde abril, o governo vinha aplicando uma tarifa mínima de 10% sobre uma ampla gama de importações, além de sobretaxas dirigidas a países específicos. A estratégia, defendida por Trump como ferramenta para reduzir o déficit comercial e “fortalecer a segurança econômica” dos Estados Unidos, acabou produzindo efeitos colaterais: embora a arrecadação tenha crescido, o impacto sobre o bolso do consumidor foi imediato. Em 12 meses até agosto, por exemplo, o preço do café registrou alta de 21%.
Diante do desgaste político e das crescentes reclamações do setor produtivo, o governo iniciou uma revisão das medidas em setembro. O anúncio desta sexta aprofunda esse movimento, reconhecendo que a política de restrição às importações tem contribuído para o aumento do custo de vida — tema que aparece entre as principais preocupações dos americanos em pesquisas recentes.
A decisão ocorre em um contexto de intensa articulação diplomática. Na véspera, o chanceler brasileiro Mauro Vieira reuniu-se com o secretário de Estado Marco Rubio durante a cúpula do G7 no Canadá. Segundo comunicado divulgado por Washington, os dois discutiram caminhos para “recalibrar” as relações comerciais. O Brasil foi um dos países mais atingidos pelas sobretaxas impostas neste ano, que chegaram a 50% em alguns produtos, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
Além da sinalização ao Brasil, o governo americano confirmou nesta semana novos acordos comerciais com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala, todos exportadores relevantes de carnes, frutas e outros alimentos consumidos em larga escala no mercado norte-americano.
Com o alívio tarifário, Trump tenta demonstrar sensibilidade ao impacto da inflação em um momento politicamente delicado, ao mesmo tempo em que busca preservar o discurso protecionista que marcou sua política externa. Resta agora observar se a redução das tarifas será suficiente para desacelerar a alta de preços e, sobretudo, para reduzir o descontentamento crescente entre consumidores e empresários.
Por: Bell Pereira