ALDEIA XUKURU DE PESQUEIRA É A PRIMEIRA DO PAÍS A ADOTAR MÉTODO NATURAL CONTRA A DENGUE

Foto: Pixabay

A Aldeia Xukuru de Cimbres, em Pesqueira, no Agreste de Pernambuco, tornou-se a primeira comunidade do país a utilizar, como política pública, a Técnica do Inseto Estéril (TIE) no combate ao Aedes aegypti. O método dispensa o uso de inseticidas químicos e aposta na redução gradual da população do mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e de outras arboviroses.

A estratégia consiste na liberação de mosquitos machos esterilizados, que copulam com as fêmeas da espécie e impedem a geração de ovos viáveis. “Reduzindo a população do mosquito, reduzimos automaticamente o risco de transmissão para os seres humanos”, afirmou o biomédico sanitarista Eduardo Bezerra, diretor-geral de Vigilância Ambiental de Pernambuco.

A ação é realizada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e integra um conjunto de medidas coordenadas pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento das arboviroses. Além da TIE, o programa reúne outras duas tecnologias: o método Wolbachia e as estações disseminadoras de larvicida.

Segundo Bezerra, os mosquitos utilizados na iniciativa não são trazidos de outras regiões. Os ovos são coletados no próprio território indígena por meio de armadilhas específicas e enviados para uma unidade em Juazeiro (BA), onde passam pelo processo de esterilização antes da liberação no local de origem.

A escolha da Aldeia Xukuru de Cimbres como área-piloto levou em conta as características do território, como a presença de áreas abertas e a possibilidade de monitoramento contínuo. Antes do início das solturas, equipes técnicas realizaram o levantamento da população do mosquito na região.

O acompanhamento é feito com o uso de ovitrampas, armadilhas que atraem as fêmeas para a deposição de ovos. A contagem semanal desses ovos é o principal indicador de eficácia da técnica. “Menos ovos indicam menor população de mosquitos circulando”, explicou Bezerra.

A expectativa é que, a partir de 2026, as solturas ocorram de forma contínua ao longo do ano, com liberações semanais. Os primeiros efeitos práticos devem ser observados já na próxima sazonalidade das arboviroses em Pernambuco, entre março e junho. “Se tudo ocorrer como planejado, já devemos observar uma redução sensível”, avaliou o diretor.

Embora não haja uma estimativa fixa de redução percentual da população do mosquito, os resultados dependem de fatores ambientais, climáticos e operacionais. A iniciativa integra o Plano de Ação para Redução da Dengue e Outras Arboviroses 2024/2025, do governo federal, e deve seguir até 2026, com análise conjunta de dados entomológicos e epidemiológicos para avaliar a efetividade da estratégia.

Por: Bell Pereira

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