Imagem: Lula Marques/Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta quarta-feira (13) as alegações finais no processo que o acusa de participação em uma suposta trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), encerrando o prazo de 15 dias concedido aos réus para apresentarem suas manifestações.

No texto, os advogados de Bolsonaro pedem a absolvição completa do ex-presidente e afirmam que não há provas que o vinculem a qualquer plano de golpe de Estado, nem aos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023.

“A verdade, que a muitos não interessa, é que não há uma única prova que atrele o Peticionário ao plano ‘Punhal Verde e Amarelo’, aos chamados ‘Kids Pretos’ e muito menos aos atos de 8 de janeiro”, afirma a defesa.

Além de Bolsonaro, outros seis nomes ligados ao antigo núcleo duro do governo também deverão entregar suas alegações finais. O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que firmou delação premiada, já havia apresentado sua versão no mês passado.

Réus do núcleo 1 da denúncia:

Processo “inédito” e críticas à imprensa

A defesa classificou o processo como “histórico e inusitado”, alegando que os réus estariam sendo condenados pela opinião pública antes mesmo de qualquer julgamento.

“Os réus são tratados como golpistas, como culpados, muito antes de a defesa ser apresentada. Uma parte expressiva do país, a maioria da imprensa, não quer um julgamento — quer apenas conhecer a quantidade de pena a ser imposta”, afirmou a equipe jurídica de Bolsonaro.

Delação de Mauro Cid é questionada

O documento também questiona a validade da delação premiada de Mauro Cid, peça central na acusação. Segundo os advogados, a colaboração foi manipulada desde o início e teria como objetivo apenas proteger o delator.

“Uma delação manipulada desde o seu primeiro depoimento e, portanto, imprestável. Mauro Cid se protegeu apontando o dedo àquele cujos atos foram sempre públicos e de governo”, alegou a defesa.

Julgamento se aproxima

Com a fase de alegações finais concluída, caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes liberar o processo para julgamento. A data será definida pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin. A expectativa é que o julgamento ocorra em setembro.

O colegiado é formado por cinco ministros: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Os réus respondem por crimes graves, incluindo:

Caso sejam condenados, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.

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