LETALIDADE POLICIAL CRESCE 31% EM PERNAMBUCO EM 2025; RELATÓRIO APONTA QUE 94% DAS VÍTIMAS ERAM NEGRAS

Facebook
WhatsApp
Email
Imagem: Rafael Vieira/DP Foto

Pernambuco registrou um aumento de 30,9% nas mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, segundo a sétima edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento contabilizou 89 mortes no Estado ao longo do último ano, contra 68 registradas em 2024.

Os dados apontam que a maioria das vítimas era negra. Das 89 pessoas mortas em ações policiais, 84 foram identificadas como pretas ou pardas, o equivalente a 94,4% do total. O estudo também indica que pessoas negras têm um risco 11 vezes maior de morrer em intervenções policiais do que a população branca, com base nas taxas proporcionais por 100 mil habitantes.

O perfil das vítimas revela ainda predominância de jovens. A faixa etária entre 18 e 29 anos concentrou 59 mortes, seguida pelo grupo de 30 a 39 anos, com 19 casos. O relatório também contabiliza 12 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, entre as vítimas.

Ao analisar a série histórica, a pesquisa mostra que Pernambuco acumulou 657 mortes por intervenção policial nos últimos sete anos, período em que houve crescimento de 20,3% nesse tipo de ocorrência.

Para a pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança em Pernambuco, Dália Celeste, os números evidenciam um contraste entre a redução dos homicídios em geral e o aumento da letalidade policial. Segundo ela, a violência provocada por agentes do Estado também precisa ser reduzida. A pesquisadora afirma que as mortes atingem, de forma desproporcional, jovens negros residentes em áreas periféricas e avalia que muitas dessas ocorrências estão relacionadas à política de enfrentamento ao tráfico de drogas.

O relatório acompanha a letalidade policial em nove estados brasileiros e identificou crescimento médio de 6,4% em 2025. Ao todo, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial. Desse total, 86,3% das vítimas eram negras e 64,8% tinham até 29 anos.

De acordo com a cientista social Silvia Ramos, diretora da Rede de Observatórios da Segurança, os dados reforçam que a juventude negra das periferias continua sendo a principal vítima da violência policial no país, indicando um padrão recorrente e não casos isolados.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que as operações das forças de segurança são realizadas com base em critérios técnicos e operacionais, sem qualquer orientação relacionada à cor da pele das pessoas abordadas.

A pasta destacou ainda que todas as mortes decorrentes de intervenção policial são investigadas nas esferas criminal e administrativa e que eventuais irregularidades resultam na responsabilização dos envolvidos. A SDS também ressaltou que investe na capacitação contínua dos profissionais de segurança, com treinamentos voltados ao uso progressivo da força, direitos humanos, atendimento a grupos vulneráveis e preservação da vida. Segundo a secretaria, as intervenções policiais são motivadas exclusivamente por critérios objetivos, como cumprimento de mandados judiciais, situações de flagrante e informações produzidas pelos setores de inteligência, sempre em conformidade com a legislação vigente

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp

Veja também:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *