
O julgamento do caso Henry Borel, iniciado após cinco anos de espera, foi interrompido no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, gerando forte repercussão e indignação por parte da família da vítima.
A sessão foi suspensa após os advogados do ex-vereador Dr. Jairinho abandonarem o plenário, alegando falta de acesso a provas. A atitude inviabilizou a continuidade do júri e levou ao adiamento do julgamento, que agora deve ocorrer em nova data.
A decisão também resultou na soltura de Monique Medeiros, mãe do menino, que estava presa preventivamente. A Justiça entendeu que houve excesso de prazo, já que o julgamento não foi concluído.
A reviravolta provocou reação imediata do pai da criança, Leniel Borel, que fez um duro desabafo ao deixar o tribunal.
“Mataram meu filho novamente. O que foi feito aqui hoje é um assassinato”, afirmou.
Em outra declaração, ele reforçou o sentimento de revolta:
“Assassinaram meu filho pela segunda vez.”
Leniel classificou o adiamento como um desrespeito à memória do filho e criticou a estratégia da defesa, afirmando que a família revive a dor da perda diante da demora no julgamento.
O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que pretende recorrer da decisão que colocou Monique em liberdade e avalia medidas para evitar novos adiamentos.
RELEMBRE O CASO HENRY BOREL
O caso teve início em março de 2021 e se tornou um dos mais chocantes do país, pela violência e pelas circunstâncias da morte.
Cronologia do caso:
• 7 de março de 2021: Henry, de 4 anos, passa o dia com o pai e retorna para a casa da mãe.
• Madrugada de 8 de março: a criança é levada ao hospital já sem vida; inicialmente, a versão apresentada foi de acidente doméstico.
• Dias seguintes: exames apontam múltiplas lesões internas graves, descartando acidente.
• Março de 2021: a Polícia Civil identifica indícios de agressões frequentes.
• Abril de 2021: Monique Medeiros e Dr. Jairinho são presos.
• Maio de 2021: o Ministério Público denuncia o casal por homicídio triplamente qualificado e tortura.
• 2021 a 2025: o processo se arrasta com perícias, depoimentos e recursos.
• 2022: é sancionada a Lei Henry Borel, que endurece punições para crimes contra crianças.
• Março de 2026: o júri popular é iniciado, mas acaba adiado após abandono da defesa.