
Informações sobre um resort no Paraná com vínculos passados com familiares do ministro Dias Toffoli (STF) ganharam destaque em meio às críticas à condução do inquérito que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, caso relatado pelo próprio magistrado na Corte.
O empreendimento em questão é o Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR). Dados da Receita Federal indicam que a propriedade já teve participação societária de uma empresa pertencente a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro. Atualmente, o resort não está mais em nome de familiares diretos: em abril de 2025, o controle foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A operação de compra foi estruturada por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag, instituição citada na Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Reag também aparece no relatório do Banco Central que embasa o inquérito do Banco Master, ampliando os questionamentos sobre possível conflito de interesses.
Segundo registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia aportou cerca de R$ 4,3 milhões para aquisição de ações do resort. O mesmo fundo é administrado pela Reag, que teria investido R$ 16,3 milhões em outra empresa, a DGEP Empreendimentos, que já teve em seu quadro societário um primo de Toffoli. A DGEP, por sua vez, utiliza o mesmo endereço e canais de contato do Tayayá Resort.
Procurada, a Reag informou que não comentaria o caso. O gabinete de Dias Toffoli, o resort e os demais citados também foram acionados. A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, nega irregularidades e afirma que o banco não é gestor nem cotista dos fundos investigados.
Fundos sob suspeita
Relatório enviado pelo Banco Central ao TCU aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag realizaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional. As transações, que somam R$ 11,5 bilhões, teriam apresentado falhas graves de gestão de risco, ausência de garantias e indícios de pulverização de recursos em nome de terceiros.
Gastos do Judiciário e relação com a cidade
Outro ponto que reforçou a polêmica foi a revelação de que o TRT-2 pagou ao menos R$ 450 mil em diárias a servidores para apoio de segurança e transporte a uma “autoridade do STF” em Ribeirão Claro entre 2022 e 2025. Os dados constam no portal da transparência do tribunal, mas não identificam qual ministro foi atendido.
A cidade mantém uma relação antiga com Toffoli. Em 2017, ele recebeu o título de cidadão honorário do município, sob a justificativa de apoio ao desenvolvimento local e ao turismo. Dois anos depois, participou da inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, batizado em homenagem a seu pai, utilizando aeronave da FAB para o deslocamento.
Pedidos de investigação e reação do STF
Diante das revelações, o deputado federal Sanderson (PL-RS) acionou a PGR e o CNJ, pedindo apuração sobre eventual participação econômica direta ou indireta do ministro no resort e possíveis irregularidades em sua atuação como relator do caso Banco Master.
Em resposta às críticas, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota pública em defesa de Toffoli. Segundo ele, não há irregularidade na condução do inquérito e eventuais inconsistências poderão ser corrigidas após o recesso do Judiciário. Fachin afirmou ainda que ataques à atuação do Supremo representam uma tentativa de desmoralizar a Corte e fragilizar o Estado democrático de Direito.
O caso segue sob análise e continua a provocar desgaste institucional, ao reunir suspeitas financeiras, relações familiares e questionamentos sobre a imparcialidade na condução de um dos inquéritos mais sensíveis em curso no STF.
Por: Bell Pereira