
O próximo treinador do Santa Cruz assumirá uma missão das mais complexas. O momento do clube exige mais do que ajustes pontuais: pede correções profundas em praticamente todos os aspectos do futebol apresentado, do desempenho coletivo à organização tática.
Marcelo Cabo, profissional experiente e com passagens relevantes no currículo, não conseguiu entregar evolução perceptível no Arruda. A goleada sofrida para o Náutico foi o ponto final de um trabalho marcado pela falta de consistência, ausência de identidade de jogo e escassez de sinais claros de crescimento técnico, culminando na demissão anunciada nesta segunda-feira.
Diante desse cenário, a diretoria tricolor não pode tratar a mudança como uma simples troca de comando. O momento exige um nome capaz de, na prática, reiniciar a temporada. O time apresenta problemas estruturais evidentes: fragilidade defensiva recorrente, dependência excessiva de Patrick Allan na construção ofensiva e pouca agressividade no setor de ataque, fatores que limitam a capacidade competitiva da equipe.
A escolha do novo treinador também passa, inevitavelmente, por um investimento mais robusto. O contexto impõe responsabilidade. A projeção para 2026 acende um sinal de alerta, especialmente com a perspectiva de disputa da Série C, competição conhecida pelo equilíbrio, intensidade e alto nível de exigência tática.
Acertar no perfil do comandante será determinante para que o Santa Cruz consiga mudar de rota. O clube precisa de um profissional experiente, atualizado e com leitura de jogo refinada — alguém capaz de variar formações, ajustar estratégias e extrair mais do elenco disponível.
O grupo atual, por si só, não demonstra força suficiente para se impor diante da maioria dos adversários. Nesse contexto, um treinador com repertório amplo, flexível e disposto a moldar sua equipe de acordo com o oponente pode representar um diferencial decisivo. Estratégias eficazes contra times de posse elevada, por exemplo, nem sempre funcionam diante de adversários que apostam em transições rápidas e jogo direto.
Para o Santa Cruz, apostar em um técnico “camaleão”, aberto à adaptação, disposto a assumir riscos calculados e capaz de surpreender, surge como o caminho mais coerente para transformar o desempenho e recolocar a equipe em um patamar competitivo.
Por: Wesley Souza