EXAME DE SANGUE PODE AJUDAR NA DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA

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Imagem: Reprodução

Já imaginou descobrir o câncer de mama por meio de um simples exame de sangue? Essa é a proposta de uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros, que pode ampliar o acesso ao diagnóstico precoce da doença, especialmente em regiões com pouca oferta de exames tradicionais.

O teste, ainda em fase de validação, utiliza uma técnica conhecida como biópsia líquida para identificar, no sangue, sinais moleculares associados ao desenvolvimento de tumores. A iniciativa surge em um contexto preocupante: o câncer de mama é o terceiro tipo de câncer que mais mata no país, com cerca de 20 mil mortes por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer.

Apesar dos números, especialistas reforçam que a doença tem altas chances de cura quando descoberta precocemente. O problema, no entanto, ainda está no acesso ao rastreamento. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, a mamografia — principal exame para detecção — não chega de forma igual a toda a população, principalmente na rede pública e em áreas mais afastadas.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda o rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos. Desde 2025, o Ministério da Saúde passou a ampliar o acesso ao exame para mulheres a partir dos 40 anos, mediante avaliação médica. Ainda assim, há preocupação com o aumento de casos em mulheres mais jovens, fora da faixa de rastreamento.

A tecnologia foi desenvolvida a partir de pesquisas da Faculdade de Medicina do ABC. O exame, chamado RosalindTest, identifica alterações genéticas relacionadas ao crescimento de células tumorais, sem depender de exames de imagem.

Para isso, os pesquisadores analisam dois biomarcadores específicos — HIF-1α e GLUT1 — que costumam apresentar alterações quando há crescimento tumoral em ambientes com baixa oxigenação, um processo conhecido como hipóxia.

Segundo os estudos iniciais, essas alterações podem aparecer no sangue antes mesmo de o tumor ser detectado em exames como a mamografia. Nos testes clínicos preliminares, o método apresentou cerca de 95% de acurácia.

A expectativa é que, no futuro, o rastreamento do câncer de mama possa incorporar esse tipo de exame, de forma semelhante ao que já ocorre com o câncer de próstata, que utiliza testes sanguíneos como parte da investigação.

Além de menos invasivo, o exame pode facilitar o acesso ao diagnóstico. Diferentemente da mamografia, que depende de equipamentos específicos e estrutura hospitalar, a coleta de sangue pode ser realizada em unidades básicas de saúde, inclusive em regiões remotas.

A proposta é que o teste funcione como uma triagem inicial. Pacientes com resultados alterados seriam encaminhadas com prioridade para exames complementares, como mamografia, ultrassom ou biópsia.

Em um projeto-piloto realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o exame foi aplicado em mulheres da zona rural de São Paulo e do Ceará — muitas delas sem histórico de rastreamento.

Um dos casos acompanhados chamou a atenção dos pesquisadores: mesmo com mamografia e ultrassom normais, o teste de sangue indicou alterações significativas. A paciente, então, buscou investigação complementar e, por meio de uma ressonância magnética, descobriu um tumor em estágio inicial, tratado apenas com cirurgia.

Apesar dos resultados animadores, especialistas alertam que a tecnologia ainda precisa passar por estudos mais amplos antes de ser adotada em larga escala.

O mastologista e cirurgião oncológico José Carlos Sadalla destaca que iniciativas que ampliam o acesso ao diagnóstico são fundamentais, mas ressalta que os biomarcadores analisados podem estar associados a outros tipos de câncer, o que exige maior precisão.

Para os pesquisadores, o exame não deve substituir a mamografia, mas atuar como um complemento. A ideia é tornar o rastreamento mais acessível, menos invasivo e, principalmente, mais eficiente na identificação precoce da doença.

A expectativa é que, com a evolução dos estudos, a tecnologia possa contribuir para reduzir a mortalidade e facilitar o diagnóstico em todo o país.

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