
Estudantes do curso de medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) iniciaram uma greve das atividades acadêmicas após a suspensão do fornecimento de refeições no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), no Recife. A unidade era a única do complexo hospitalar da universidade que ainda oferecia almoço gratuito aos alunos em regime de internato.
A paralisação foi anunciada na noite desta quarta-feira (28) pelo Diretório Acadêmico Josué de Castro, que representa os estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, no bairro de Santo Amaro, após assembleia com os alunos. Segundo a entidade, a decisão foi unânime.
De acordo com o diretório, o corte da alimentação foi comunicado pelo CISAM na última segunda-feira (26), sob a justificativa de cumprimento de orientações superiores para restrição orçamentária. A medida afeta diretamente estudantes que cumprem jornadas em mais de um turno nos hospitais universitários.
“O CISAM informou que estaria seguindo uma suposta recomendação da Controladoria Geral do Estado para não executar parte do orçamento. Essa contenção atingiu justamente a alimentação dos internos, que custava cerca de R$ 4 mil por mês”, afirmou Arthur Godê, diretor-geral do diretório acadêmico, em entrevista ao Diario de Pernambuco.
Dados apresentados pelos estudantes indicam que cerca de 300 alunos realizam o internato nas três unidades do complexo hospitalar da UPE: o CISAM, na zona norte do Recife; o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC); e o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape), ambos localizados na região central da capital. Destes, apenas o CISAM ainda mantinha a oferta de almoço gratuito, beneficiando diariamente 15 internos.
Segundo o diretório, o custo mensal das refeições era de R$ 3.946,80. Para os alunos, o valor é baixo diante do impacto da suspensão. “É uma situação de desgaste histórico. Comer nas imediações dos hospitais é caro, e o internato é um estágio não remunerado. O corte da alimentação torna a permanência ainda mais difícil”, disse Godê.
Com a paralisação, atividades práticas e rodízios em diferentes setores dos hospitais podem ser prejudicados, segundo os estudantes. A greve, afirmam, seguirá até que haja abertura de diálogo com o governo estadual.
Os alunos organizam uma mobilização para a próxima semana com o objetivo de cobrar a retomada das refeições em todas as unidades do complexo hospitalar. Entre as reivindicações, está também a criação de um restaurante universitário na UPE. “É uma das poucas universidades estaduais do porte da UPE que não possui restaurante universitário. Isso afeta estudantes de vários cursos”, afirmou o representante do diretório.
Por: Bell Pereira