
A rejeição do pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB), intensificou o embate político na Câmara Municipal. Após a votação que barrou a admissibilidade da denúncia, aliados do governo e parlamentares da oposição passaram a disputar versões sobre a legalidade do procedimento e os próximos passos do caso.
O requerimento foi derrotado em sessão marcada por tensão e galerias cheias, com 25 votos contrários, nove favoráveis e uma abstenção. A proposta havia sido apresentada pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que acusa o prefeito de crime de responsabilidade e improbidade administrativa em razão da nomeação de um procurador por meio de vaga destinada a pessoa com deficiência.
Líder do governo na Casa José Mariano, o vereador Samuel Salazar (MDB) afirmou que o pedido não apresentou fundamentos jurídicos suficientes. Segundo ele, a iniciativa teve caráter político e buscou desgastar a imagem da gestão municipal. Já Moura contestou o rito adotado durante a sessão e anunciou que pretende recorrer à Justiça com um mandado de segurança para tentar anular a votação.
De acordo com o parlamentar do Novo, a matéria deveria ter sido incluída na Ordem do Dia antes da deliberação em plenário. Ele também defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar as investigações sobre o caso. A base governista, por sua vez, sustenta que o processo seguiu as normas regimentais e que a decisão da maioria encerra a discussão no Legislativo, ao menos neste momento.
O episódio amplia a polarização entre governo e oposição na Câmara do Recife e deve manter o tema em evidência nas próximas semanas, sobretudo se houver judicialização do resultado da sessão.
Por: Bell Pereira