
O exame Papanicolau, tradicionalmente utilizado para diagnosticar o câncer de colo de útero, começará a ser substituído por uma nova técnica considerada mais rápida e precisa, conforme anunciou o Ministério da Saúde. O novo procedimento, que será oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS), será oficialmente lançado nesta sexta-feira (15), em uma Unidade Básica de Saúde no Recife, capital de Pernambuco. A expectativa é de que esteja disponível em todo o país até o final de 2026.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a nova tecnologia permitirá que o rastreamento da doença seja feito a cada cinco anos, em vez do intervalo atual de três anos. Ele destacou que Pernambuco foi o estado pioneiro na adoção do exame e ressaltou que a tecnologia foi desenvolvida integralmente no Brasil, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “É um teste 100% brasileiro. A Fiocruz procurou e desenvolveu essa tecnologia. E a gente começa hoje em 12 estados do país. Até o final do ano que vem, para todas as mulheres do Brasil já vai estar oferecido no SUS esse novo mecanismo para diagnosticar o câncer de colo de útero”, afirmou.
O novo teste é um exame molecular, que identifica diretamente o DNA do HPV, vírus responsável por grande parte dos casos de câncer do colo do útero. Diferente do Papanicolau, que detecta alterações já existentes nas células do colo do útero, o novo método age precocemente, detectando a presença do vírus antes do desenvolvimento de lesões. Essa inovação pode garantir diagnósticos mais rápidos e eficientes.
Padilha também reforçou a gravidade da doença, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde o câncer de colo de útero é uma das principais causas de morte entre mulheres. A meta do governo federal é cumprir o que determina a legislação: diagnosticar casos suspeitos em até 30 dias e iniciar o tratamento em no máximo 60 dias após a confirmação.
Além do lançamento do novo exame, o ministro anunciou a chegada de novos equipamentos para o tratamento de câncer pelo SUS em Pernambuco. Os aparelhos de radioterapia serão instalados no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, e no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc-UPE), localizado em Santo Amaro, ambos na área central do Recife. “Esse é um dos gargalos, porque hoje as pessoas conseguem até fazer o diagnóstico do câncer, mas demora muito tempo para entrar na radioterapia. Pernambuco é um dos estados com maior déficit em relação a isso. Com esses novos três equipamentos, vamos poder incluir mais 700 pacientes no tratamento”, explicou Padilha.
Um dos aparelhos de radioterapia também será destinado ao Hospital Português, que integra a rede privada, mas participa do programa federal Agora Tem Especialistas, voltado para a redução das filas de espera por atendimento com médicos especialistas no SUS. “No Brasil, como um todo, temos mais de 100 hospitais que solicitaram a adesão e já vão começar a fazer parte do programa também”, disse o ministro.
A agenda do ministro da Saúde em Pernambuco começou na quinta-feira (14), com a participação no lançamento da nova fábrica de hemoderivados da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia). Durante o evento, Padilha voltou a elogiar o programa Mais Médicos, alvo de críticas no passado pelo governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Ainda na quinta-feira, Alexandre Padilha acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita ao Hospital Ariano Suassuna Hapvida, no bairro da Ilha do Leite, onde foram iniciados os atendimentos do programa Agora Tem Especialistas.
A programação do ministro continua nesta sexta (15), com visita à Unidade Básica de Saúde Doutora Fernanda Wanderley, no bairro da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife, onde ocorre o anúncio oficial do novo exame de rastreio do câncer de colo do útero dentro do mesmo programa federal.
À tarde, o ministro visitará o Imip e o Huoc, onde fará o anúncio oficial da chegada dos novos equipamentos de radioterapia. A agenda será encerrada no Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Prof. Luiz Tavares (Procape), com o anúncio do aumento do financiamento para o laboratório de eletrofisiologia, visando zerar a fila de espera de 293 pacientes que aguardam tratamento para arritmia grave.
Ainda durante o evento, o ministro, acompanhado da governadora Raquel Lyra (PSD), do prefeito João Campos (PSB) e de representantes da Universidade de Pernambuco (UPE), oficializará a cessão do prédio do Laboratório Municipal Julião, de propriedade da Prefeitura do Recife, para abrigar o novo ambulatório do Procape. A iniciativa tem como objetivo triplicar a área de atendimento da emergência cardiológica na capital pernambucana.
Por: Wesley Souza