EUA AVALIAM CLASSIFICAR PCC E COMANDO VERMELHO COMO ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS, E BRASIL TENTA EVITAR DECISÃO

Imagem: BBC Brasil

Os Estados Unidos avaliam incluir as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A possível decisão, que pode ocorrer nos próximos dias, tem gerado preocupação no governo brasileiro e mobilizado esforços diplomáticos para evitar a medida.

Diante do avanço da pauta em Washington, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone no último domingo (8) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O objetivo foi discutir os impactos da classificação e tentar impedir que as facções sejam formalmente designadas como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo o doutor em ciência política Thales Castro, a eventual classificação mudaria significativamente a forma como esses grupos são tratados no cenário internacional. De acordo com ele, quando os Estados Unidos incluem uma organização nessa lista, são aplicadas medidas automáticas como bloqueio de contas, congelamento de ativos e ampliação de investigações financeiras e jurídicas.

“Essa classificação busca isolar o grupo do sistema financeiro internacional e restringir qualquer tipo de transação. Além disso, cria bases jurídicas para ações mais incisivas por parte do governo norte-americano”, explica o especialista.

A possibilidade de uma postura mais agressiva por parte dos Estados Unidos preocupa parte da comunidade acadêmica. Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a designação poderia abrir precedentes delicados nas relações diplomáticas entre os dois países.

Segundo ele, ao enquadrar as facções na mesma categoria de grupos como Hamas, Hezbollah e Houthis, os Estados Unidos poderiam adotar medidas mais duras contra essas organizações.

“Uma vez declarados como organizações terroristas estrangeiras, esses grupos podem ser alvo de ações mais diretas dos Estados Unidos, inclusive sem necessidade de alinhamento prévio com o governo brasileiro, o que poderia desencadear uma crise diplomática sem precedentes nas relações bilaterais”, avalia.

Apesar das preocupações, especialistas também apontam possíveis efeitos positivos. Castro destaca que a classificação poderia ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

“Isso pode mobilizar a comunidade internacional e fortalecer o enfrentamento às redes criminosas transnacionais, colocando mais países em alerta para combater essas atividades ilícitas”, afirma.

Mesmo com as discussões em andamento, Gomes ressalta que ainda é cedo para prever os desdobramentos da possível decisão. Segundo ele, o tema deve continuar sendo debatido entre os governos brasileiro e norte-americano nos próximos dias.

“Estamos diante de um processo em curso. Ainda é difícil estimar quais serão os resultados ou se haverá algum tipo de acordo entre os dois países sobre como lidar com a questão”, conclui.

Por: Wesley Souza

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