
O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), ocorre em meio ao avanço dos casos de violência contra mulheres no Brasil. Em 2025, doze mulheres foram vítimas de agressões a cada dia, somando mais de 4,5 mil casos alta de 9% em relação ao ano anterior.
Os dados constam no boletim “Elas Vivem: a urgência da vida”, elaborado pela Rede de Observatórios da Segurança e divulgado na sexta-feira (6). O levantamento acompanha ocorrências em nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo o relatório, foram identificados mais de 950 episódios de violência sexual ou estupro, crescimento de cerca de 56% em comparação com o ano anterior. A maioria das vítimas é formada por crianças e adolescentes. O monitoramento também registrou quase 550 casos de feminicídio e sete de transfeminicídio.
Entre os estados analisados, o Pará apresentou o maior aumento proporcional das ocorrências. O estado contabilizou 138 mortes de mulheres e registrou crescimento de 167% nos casos de abuso sexual.
Para a pesquisadora Tayná Boaes, da Rede de Observatórios da Segurança, os números indicam que a violência de gênero ainda é subnotificada e muitas vezes invisibilizada nas estatísticas oficiais.
Segundo ela, o monitoramento da instituição permite identificar episódios que nem sempre são classificados corretamente pelas autoridades policiais. “Os números oficiais não conseguem refletir toda a realidade. O que os dados mostram é que a violência contra a mulher segue presente nesses territórios, muitas vezes tolerada socialmente e enfrentada de forma insuficiente pelo Estado”, afirma.
O estudo aponta ainda que a maior parte das agressões é cometida por pessoas próximas às vítimas. Companheiros e ex-companheiros concentram a maioria dos casos, seguidos por familiares e namorados ou ex-namorados.
Para Tayná Boaes, o perfil dos agressores revela o caráter íntimo da violência. “Quando os dados mostram que 78,5% das violências são cometidas por companheiros ou ex-companheiros, estamos falando de agressões que acontecem dentro de relações afetivas e, muitas vezes, no ambiente doméstico”, diz.
A pesquisadora lembra que denúncias podem ser feitas por meio da Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Situações que envolvam crianças e adolescentes também podem ser comunicadas ao Disque 100.
O boletim conclui que, além das ações imediatas de enfrentamento, é necessário ampliar políticas públicas estruturais de prevenção. Entre as medidas sugeridas estão campanhas educativas permanentes, iniciativas de transformação cultural e maior mobilização da sociedade para combater a violência de gênero.
Por: Bell Pereira