
Imagens registradas dentro da Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, mostram uma situação inusitada e preocupante: detentos recebendo um boi inteiro dentro da unidade prisional, que teria sido usado para a realização de churrascos. As imagens, que também mostram carnes fatiadas, bebidas alcoólicas e objetos proibidos como celulares, foram divulgadas nesta semana e remetem a um possível esquema de facilitação de entrada de itens ilegais no presídio.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os vídeos são antigos, com mais de um ano, e medidas teriam sido tomadas à época, incluindo apreensão de materiais, transferências e abertura de procedimentos administrativos disciplinares.
A divulgação acontece poucos dias após a deflagração da Operação Publicanos, da Polícia Civil, que investiga um grupo suspeito de envolvimento em corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro dentro do sistema prisional. Entre os alvos da operação, estão o diretor da penitenciária, Alessandro Barbosa, e outros cinco policiais penais, todos afastados de suas funções por decisão judicial da Vara Criminal da Comarca de Petrolina.
De acordo com a polícia, a investigação teve início em maio de 2024. Na última terça-feira (19), foram cumpridos 16 mandados judiciais, incluindo busca e apreensão, afastamento de funções públicas e bloqueio de ativos financeiros. A operação se estendeu às cidades de Petrolina (PE), Itaberaba (BA) e Juazeiro (BA).
Nos vídeos, homens aparecem manuseando partes do animal sobre um lençol, colocando-as no scanner de raio-x e entregando os pedaços por uma janela da unidade prisional. Em outras imagens, é possível ver detentos manipulando as carnes já cortadas, e uma mesa com garrafas, copos e um líquido amarelo semelhante a uísque. Um dos detentos usa anéis dourados e um celular iPhone está visível sobre a mesa.
Em nota, a Seap afirmou que continua adotando estratégias de segurança para coibir a entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais do Estado, reforçando que o material divulgado não retrata a situação atual da penitenciária.
Por: Wesley Souza