
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou a criação do Dia Estadual em Memória das Vítimas de Feminicídio, iniciativa voltada ao enfrentamento da violência de gênero e à preservação da memória das mulheres assassinadas em razão do sexo.
A lei sancionada homenageia Renata Alves, morta em 2022, aos 35 anos, pelo ex-companheiro. O dia 6 de agosto, data do crime, passa a integrar o calendário oficial do Estado como marco de reflexão, mobilização social e promoção de políticas públicas de prevenção à violência contra a mulher.
Batizada de Lei Renata Alves, a norma foi instituída na última terça-feira (16) e estabelece diretrizes para ações educativas, campanhas de conscientização e fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Pernambuco. O texto também prevê acolhimento institucional às famílias das vítimas e estímulo à atuação conjunta dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na defesa da dignidade feminina.
Mobilização e memória
Após a repercussão do caso, amigas de Renata criaram o Instituto Banco Vermelho (IBV), organização dedicada à conscientização sobre o feminicídio e à prevenção da violência de gênero. Para o grupo, a oficialização da data representa a transformação do luto em política pública.
“A sanção da lei mostra que a dor da nossa perda se converteu em um instrumento de proteção coletiva. Renata tinha uma trajetória luminosa, e ver seu nome associado a uma política de Estado é garantir que sua história ajude a salvar vidas e a romper o silêncio em torno do feminicídio”, afirma Paula Limongi, vice-presidente do IBV e amiga de infância da vítima.
A mãe de Renata, Kátia Alves, diz que a criação da data traz algum conforto à família, que ainda aguarda o desfecho judicial do caso. “É um alento saber que a memória da minha filha está registrada em uma lei tão relevante. Espero que, a cada 6 de agosto, sejam realizadas ações concretas para reduzir as violências que atingem tantas mulheres e que, muitas vezes, terminam em morte”, declara.
Ações simbólicas
Como parte das iniciativas relacionadas à nova legislação, o Instituto Banco Vermelho, em parceria com familiares, amigos e o Hub Plural, promove nesta sexta-feira (19), às 10h, a instalação de um novo banco vermelho em uma unidade de coworking no Cais do Apolo, área central do Recife. O objeto é um símbolo internacional de alerta e conscientização sobre o feminicídio.
A ação ocorre em um contexto de crescimento dos casos de violência letal contra mulheres no Estado e busca ocupar espaços urbanos com mensagens de prevenção e reflexão.
Julgamento adiado
Renata Alves foi assassinada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife. Segundo o processo, ela sofria histórico recorrente de violência doméstica e psicológica.
O acusado, João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, ex-companheiro da vítima, cumpria prisão domiciliar por agressões anteriores quando rompeu a tornozeleira eletrônica e cometeu o crime.
O júri popular estava previsto para ocorrer na última terça-feira (16), mas foi adiado após a defesa alegar problemas de saúde da advogada do réu. O novo julgamento foi remarcado para 25 de fevereiro de 2026, às 9h.
Por: Bell Pereira