
Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a desigualdade no Brasil atingiu “o menor nível da história”, atribuindo o resultado a programas sociais e às mudanças recentes na política tributária. A fala ocorreu poucos dias após a sanção da lei que isenta do Imposto de Renda pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil e cria uma taxação adicional para contribuintes de alta renda. As novas regras passam a valer em janeiro.
Ao longo de cerca de seis minutos, Lula ressaltou que a ampliação da isenção representa o cumprimento de uma das principais promessas de sua campanha de 2022. Segundo ele, a medida deve aliviar o orçamento de milhões de trabalhadores. “Com zero de imposto de renda, uma pessoa com salário de R$ 4.800 pode economizar até R$ 4 mil por ano. É quase um décimo quarto salário”, afirmou.
Para compensar a perda de arrecadação, o governo criou uma alíquota extra de até 10% para contribuintes que recebem mais de R$ 600 mil anuais — cerca de 140 mil pessoas. Lula defendeu a nova cobrança e afirmou que ela incidirá sobre quem ganha “vinte, cem vezes mais do que 99% do povo brasileiro”. Atualmente, pessoas de alta renda pagam, em média, 2,5% de Imposto de Renda efetivo, percentual bem abaixo dos 9% a 11% pagos pelos trabalhadores em geral.
O presidente também citou programas sociais como Pé-de-Meia, Luz do Povo e Gás do Povo como fatores que contribuíram para a redução da desigualdade. Ainda assim, reconheceu que o país segue entre os mais desiguais do mundo. “O 1% mais rico acumula 63% da riqueza nacional, enquanto a metade mais pobre detém apenas 2%”, disse.
A nova lei não altera toda a tabela do Imposto de Renda — que segue com alíquotas entre 0% e 27,5% e permanece defasada. Segundo cálculos do governo, uma correção integral custaria mais de R$ 100 bilhões anuais. Desde 2023, a isenção é garantida a quem ganha até dois salários mínimos, mas a mudança anunciada agora busca ampliar o alcance do benefício.
O governo estima que o aumento do dinheiro disponível nas mãos da população isenta deve injetar R$ 28 bilhões na economia nos próximos meses. A expectativa do Planalto é que o ganho de renda estimule o consumo e ajude a impulsionar a atividade econômica em 2025.
Por: Wesley Souza