MESMO APÓS GOLEADA HISTÓRICA, FLAMENGO DEMITE FILIPE LUÍS E ENCERRA CICLO VITORIOSO

Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo

O que parecia ser apenas mais uma noite de afirmação terminou como ponto final de uma trajetória meteórica. Horas depois da vitória por 8 a 0 sobre o Madureira e da classificação para a final do Campeonato Carioca, o Clube de Regatas do Flamengo anunciou a demissão de Filipe Luís do comando técnico. A decisão partiu da diretoria e surpreendeu pelo timing, mas não pelo contexto.

O início de 2026 foi determinante. O time perdeu a Supercopa do Brasil para o Sport Club Corinthians Paulista e a Recopa Sul-Americana para o Club Atlético Lanús, resultados que aumentaram a pressão interna e externa. O desempenho irregular e o desgaste no ambiente do futebol aceleraram um processo que já dava sinais de fragilidade.

Números expressivos, final abrupto

Filipe Luís deixa o cargo com 101 jogos e 69,9% de aproveitamento — 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas. Em pouco mais de um ano e meio, conquistou cinco títulos e entrou para a história do clube como um dos treinadores mais vitoriosos, empatado com Jorge Jesus e Flávio Costa.

A lista de conquistas inclui a Copa do Brasil de 2024 e uma temporada praticamente perfeita em 2025, com Supercopa do Brasil, Campeonato Carioca, Libertadores e Campeonato Brasileiro. No cenário internacional, o Flamengo ainda alcançou a final do Mundial Interclubes, sendo superado nos pênaltis pelo Paris Saint-Germain Football Club.

Os números sustentam a grandeza do trabalho. Mas, no futebol, contexto pesa tanto quanto estatística.

Da base ao topo em seis meses

A história de Filipe como treinador começou no próprio Flamengo. Após se aposentar como jogador, em 2024, assumiu o sub-17 e conquistou a Copa Rio. Pouco depois, liderou o sub-20 ao título mundial da categoria. Em 30 de setembro daquele ano, foi promovido ao profissional para substituir Tite.

A ascensão foi relâmpago — e vitoriosa. A equipe retomou protagonismo continental, consolidou um modelo de jogo agressivo e viveu uma das temporadas mais marcantes da década. O ex-lateral transformou liderança silenciosa em comando firme à beira do campo.

O desgaste que mudou o rumo

Em 2026, porém, o cenário mudou. O time apresentou queda física e técnica, perdeu intensidade e viu crescer o ruído interno. Havia insatisfação de parte do elenco com decisões da comissão técnica, além de críticas sobre comunicação e gestão de grupo. A relação com a diretoria também se tornou mais distante.

A goleada sobre o Madureira não foi suficiente para reverter a avaliação de que o ciclo estava esgotado. A diretoria optou por interromper o trabalho antes que a temporada ganhasse contornos irreversíveis.

Um legado que permanece

Apesar do desfecho precoce, a passagem de Filipe Luís deixa marcas profundas. Em seu primeiro trabalho como treinador, construiu um currículo que muitos levam décadas para alcançar. Sai com respaldo estatístico, títulos relevantes e a sensação de que sua carreira à beira do campo está apenas começando.

No Flamengo, encerra-se um ciclo curto, intenso e vencedor. No futebol, porém, quase sempre o que decide não é o passado — é o próximo resultado.

Por: Wesley Souza

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