
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem identificado a participação de grandes igrejas e líderes religiosos influentes no esquema de desvios contra aposentados e pensionistas. Segundo a parlamentar, as revelações têm provocado pressões constantes para frear o avanço das apurações.
Em entrevista concedida neste domingo ao SBT News, Damares relatou que integrantes da comissão enfrentam tentativas recorrentes de interferência nos trabalhos. De acordo com ela, o envolvimento de figuras religiosas com forte influência social tem gerado reações de setores que pedem cautela ou até a interrupção das investigações.
“Estamos sendo pressionados o tempo todo. É muito doloroso dizer isso, mas estamos encontrando igrejas envolvidas em fraudes contra aposentados. Quando se fala em um grande pastor, surge a reação de que não se deve investigar para não entristecer os fiéis”, declarou a senadora.
Damares ressaltou que, diante desse cenário, a CPMI tem sido alvo de lobbies contrários ao aprofundamento das investigações. Ainda assim, afirmou que o trabalho da comissão tem avançado além do que os próprios parlamentares imaginavam inicialmente. “Essa CPMI está chegando a lugares que jamais pensamos alcançar. Grandes igrejas do Brasil estão sendo citadas, e isso me fere profundamente”, acrescentou.
A senadora também avaliou que a atuação da comissão representa um novo momento para as investigações parlamentares no país. Segundo ela, a CPMI do INSS deverá apresentar resultados concretos e responsabilizar envolvidos independentemente de alinhamentos políticos ou governos.
Andamento e próximos passos
Para o próximo ano, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que os parlamentares devem apresentar, em fevereiro de 2026, um primeiro balanço do relatório preliminar com base nas atividades realizadas em 2025. O encerramento oficial dos trabalhos está previsto para março, mas Viana defende a prorrogação da comissão por mais 60 dias.
Em nota, o senador argumentou que o prazo atual é insuficiente diante da complexidade do caso. “Pela dimensão nacional e profundidade do esquema, é indispensável prorrogar a CPMI. Só assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e assegurar justiça às vítimas”, afirmou.
Ao longo do último ano, a CPMI realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas. Entre elas, dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, que comandava a pasta quando as irregularidades vieram a público, e Onyx Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Bolsonaro, período em que os desvios teriam tido início.
Segundo Carlos Viana, o relatório final deverá reunir a análise de cerca de 4.800 documentos e apontar ao menos 108 empresas suspeitas de envolvimento nas fraudes. O presidente da comissão também anunciou que pretende solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata de aproximadamente 2 milhões de contratos de empréstimos consignados com indícios de irregularidades.
Por: Bell Pereira